Resenha – Dragonheart

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“Um maligno feiticeiro transformou o Grande Dragão, protetor do reino, em uma grande pedra, seu bafo de fogo foi aprisionado em uma joia de rubi chamada Dragonheart. Com o guardião da terra preso, trolls e dragões menores estão à solta, sendo contidos muito esforço por bravos cavaleiros e ágeis caçadoras. Enquanto isso, feiticeiras enigmáticas usam a magia da pedra Dragonheart para seus objetivos pessoais.

Como um discípulo do Grande Dragão cabe a você libertá-lo. Ou, enquanto um agente do mau, você deve se certificar de que o dragão durma para sempre. Será que você consegue?” – Verso da caixa do jogo, versão da Fantasy Flight. Tradução livre.

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Caixa do jogo

Iniciando no blog uma nova coluna/categoria de jogos exclusivos para dois jogadores, escolhi o meu favorito. Portanto, na nova categoria do blog, a primeira resenha: Dragonheart!

Mecânica
– Gestão de mão

Dragonheart é um jogo de carta (exclusivo para 2 jogadores!) com a mecânica de gestão de mão, onde também pode se usar blefe. Ele possui um pano de fundo de fantasia com a história do aprisionamento do protetor de um reino medieval chamado “Great Dragon” (algo como “Grande Dragão”) e que agora dois jogadores disputam ou pela liberdade do dragão (verde) ou por manter o mesmo aprisionado (vermelho). O objetivo é alcançar a vitória por pontos.

Este é um jogo lançado em 2010 de autoria de Rüdiger Dorn, famoso autor alemão de jogos de tabuleiro famosos como Instanbul, Karuba, Asante, Jambo, entre outros, com a arte do também alemão Michael Menzel, ilustrador de Lendas de Andor, Catan, Dominion e outros.

Cada jogador começa com uma mão de 5 cartas. Este é um jogo bem simples onde se faz duas ações a cada vez que se joga: jogar uma carta e comprar uma carta. Os espaços no tabuleiro onde as cartas são usadas possuem anões, trolls, feiticeiras e outras seres do reino fantástico que está no tema do jogo.

A mecânica de jogo faz com que os espaços das cartas interajam entre si. Quando um determinado espaço é preenchido com o número de cartas indicado no mesmo, isso ocasiona um efeito em outro espaço associado, o que normalmente é pegar as cartas para acumular pontos.

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Tabuleiro

Como é possível ver na imagem do tabuleiro (acima), cada espaço onde se pode jogar cartas possui um determinado número de delimitadores retangulares, formato de carta, que ditam quantas cartas devem estar naquele espaço para que um efeito aconteça. Esse “efeito” é indicado pelas setinhas também presentes no tabuleiro. Na prática, quando um espaço é totalmente preenchido, as cartas de outro espaço indicado pelas setas podem ser pegas para marcar pontos com exceção das cartas de cavaleiro e caçadoras que vão para uma pilha comum e só pode ser resgatadas quando 3 cartas de barco preenchem o espaço correspondente.

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Exemplo de cartas

Dessa forma, ambos os jogadores possuem um pilha de compras de cartas e uma pilha de cartas para pontuação, sendo que esta última fica em aberto com as cartas viradas para cima.

O jogo se desenrola até uma das duas condições de final de partida tenha sido acionadas: ou 3 pilhas de cartas de barcos são criadas ou então um dos jogadores fica sem cartas para comprar. No primeiro caso, o jogo acaba imediatamente. No segundo caso, existe uma última rodada.

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Exemplo de pilha de barco e captura de cartas

Em caso de empate, quem possuir a miniatura do dragão petrificado ganha a partida. Além disso, sozinha, a miniatura concede 3 pontos para o jogador que a possui.

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Miniatura de dragão. Fonte: BGG

Considerações finais
Este é um jogo ótimo em sua mecânica e rejogabilidade, mas mediano de forma geral. Dragonheart se joga rapidamente, fácil de aprender e ensinar e é um bom jogo de decisões leves e rápidas. Além da arte fantástica e dos componentes de ótima qualidade.

Apesar da simplicidade geral do jogo existe um bom espaço para estratégias e jogadas inteligentes a fim de forçar o adversário a comprar ou jogar determinada carta. Com poucas exceções, este é um jogo onde os jogadores abre mão de determinado espaço de cartas ao jogar, ou seja, se ganha aqui para perder ali.

Existe uma comparação clara com o título Lost Cities (Exploradores no Brasil, Devir) por serem jogos exclusivos para dois baseados em cartas e gestão de mão, porém Dragonheart é definitivamente um jogo diferente, principalmente por haver menos possibilidades de estratégias e por elementos na mecânica que o difere dos demais, como a miniatura do dragão e os pontos que essa concede, além do desempate.

Entretanto, infelizmente o jogo depende pesadamente de sorte ao sacar as cartas da pilha de compras, o que não agrada à muitos jogadores. Cartas repetidas permitem pouquíssimas ações, por exemplo. Além disso, existe sempre a constante preocupação de quantos pontos cada jogador vai “dar” ao seu oponente através das cartas jogadas, o que pode, inclusive, gerar uma demora no momento de jogar.

Pontos positivos
– Rápido e fácil de jogar
– Boas decisões em um jogo rápido
– Jogo intuitivo

Pontos negativos
– Depende demais de sorte ao comprar cartas
– Gera preocupação quanto a pontuação das cartas jogadas, o que pode gerar intervalos grandes entre turnos