Resenha – Agon

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“A opinião é a rainha do mundo” – Blaise Pascalagoncaixa1

Agon ou no original Queen’s Guard, é um jogo lançado pela Mitra aqui no Brasil em 2017, porém foi originalmente concebido em 1780 pelo francês Adan Vaugeois. Também existem informações de um título similar que apareceu na era vitoriana na Europa. O pacote do jogo vem com um folheto com o fundo histórico do produto.

Mecânica
– Movimento ponto-a-ponto

Este é um jogo abstrato de estratégia e também clássico exclusivo para dois jogadores com uma fácil mecânica, mas com inúmeras estratégias, apesar de poucas possibilidades de vitória. O objetivo de cada jogador é colocar sua rainha (peça maior) e os seis guardas (peças menores) no centro do tabuleiro. A rainha fica, obviamente, no ponto preto enquanto os guardas ficam no anel central imediatamente próximo.

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Tabuleiro

O movimento das peças se dá de um ponto a outro (ou de uma casa para outra), porém não é permitido mover para trás. Em outras palavras, na prática cada um move suas peças ou para um dos lados no mesmo anel em que a mesma se encontra ou então uma casa à frente, em direção a parte central do tabuleiro. Isso pode ser feito com qualquer peça, uma de cada vez.

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Folheto com a história do jogo

Apenas as peças dos guardas tem uma função específica que é capturar as peças do oponente, o que faz com que um jogador escolha uma posição no anel mais externo do tabuleiro para colocar o guarda ou a rainha do adversário. A captura acontece quando duas peças de uma cor cercam em linha reta a peça da cor do oponente, seja rainha ou não. Essa colocação de peças no anel externo atrasa a estratégia adversária e obriga o oponente andar com as peças capturadas novamente.

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Exemplo de partida

Para ganhar o jogo, como já descrito, é necessário colocar tanto a rainha quanto os seis guardas no centro do tabuleiro. Porém, existe uma situação adversa onde caso algum dos jogadores cerque o anel mais próximo do centro de guardas, mas não tenha a sua rainha no centro, a vitória é do adversário! Confira um vídeo com todas as regras clicando aqui.

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Lados da caixa

Considerações finais
Agon é um jogo exclusivo para dois com várias camadas de estratégia, isso é um fato que pouco provavelmente pode ser questionado. Um jogo abstrato simples, com peças que não são temáticas (obviamente), mas com muita capacidade de queimar a cabeça para tentar vencer!

O jogo conta com pouquíssimas regras e apenas com duas formas de ganhar: ou a rainha e os guardas ficam na parte central do tabuleiro ou o adversário, mesmo que sem querer, cerca tudo sem colocar sua rainha no ponto preto central. Mesmo com tão poucas regras e poucas forma de vitória, as maneiras com quais é possível bloquear movimento, defender e atacar são inúmeros, assim como outros tantos títulos abstratos que se tem conhecimento, como mancala, damas, etc.

A produção da Mitra é fantástica! Por ser todo em madeira (do tipo MDF) o jogo tem um visual bem acabado, bonito e polido e ainda existe a possibilidade de se lustrar com cera ou outro produto para ficar com um visual melhor ainda. Apesar de existir a possibilidade de um tabuleiro mais trabalhado com alguma arte simples, o jogo possui charme sem igual, assim como os outros títulos da empresa (inclusive existe uma ludoteca de jogos à venda da Mitra, clique aqui).

Também como todo abstrato, tanto pela falta de aplicação temática nos componentes quanto pelo alto apelo estratégico pode não agradar a todos. Títulos assim podem levar pouco ou muito tempo para completar a partida e, apesar de ter uma linda e profissional produção, há quem goste de produtos com apelo visual maior.

Pontos positivos
– Alta rejogabilidade e valor estratégico
– Linda produção em madeira
– Jogo abstrato de fácil aprendizado, mas difícil de mestrar
– Bom para iniciantes e para fugir da “moda” do mercado

Pontos negativos
– Pode demorar dependendo dos jogadores
– Alguns jogadores podem gostar de produções mais robustas visualmente