Resenha – Fields of Green

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“Financiado por um programa do governo, você encontrou um pedacinho de chão e agora está pronto para plantar, criar animais e levar a vida de um fazendeiro da segunda metade do século XX!” – Manual, versão brasileira

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Fields of Green é um jogo lançado em 2016 por Vangelis Bagiartakis (Among the stars, Dice city) com a arte de Grzegorz Bobrowski (51st state), Gong Studios (Android: Netrunner), Tomasz Jedruszek (Arkham Horror: The Card Game) e Naomi Robinson (Kanban). Originalmente foi lançado pela editora grega Artipia. Esta resenha foi feita com base na versão brasileira gentilmente cedida pela editora Flick Games Studio.

Mecânicas
– Ação simultânea
– Colocação de peças
– Ordem de fases variável
– Seleção de cartas

Todos começam com seis cartas na mão em um sistema de drafting (como 7 Wonders) onde todos escolhem 1 carta e passam o restante para a esquerda. Ao final do “passa passa” todos ficarão com seis cartas novamente. A partida dura exatamente 4 rodadas e em cada uma delas os jogadores jogam 6 fases diferentes, o que já dá bastante coisa para se fazer no jogo.

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Torre e silo

No começo da partida os únicos locais que cada um possui são a Torre dágua e o primeiro Silo e a mecânica do jogo exige que toda e qualquer carta construída posteriormente fique adjacente à essas duas iniciais. As cartas construídas que necessitam dos recursos iniciais (água e trigo) precisam estar à, no máximo, 2 de distância das cartas iniciais, o que já demanda um bom posicionamento por parte dos jogadores.

O jogo possui quatro tipos de cartas dividas em 4 baralhos diferentes, onde cada um possui uma função diferente que direciona a estratégia de cada jogador.

  • Criações (vermelho) – Animais que geram dinheiro
  • Construções (roxo) – Pontos para o final da partida
  • Plantações (verde) – Mais trigo na fazenda
  • Estruturas (amarelo)– Bônus durante a partida
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Todos os componentes

Em se tratando das ações é possível construir um local, construir um torre de água, um outro silo, ir ao mercado ou restaurar um local. A construção é, basicamente, pagar o custo das cartas e colocar em jogo, a fim de que a mesma dê alguma habilidade, recurso ou dinheiro ao jogador em questão. Ir ao mercado significa vender parte da sua comida (trigo) por dinheiro e restaurar um local é, literalmente, desvirar uma carta que foi virada anteriormente.

Após essas fases de construção, o jogo segue para colheita onde os jogadores pagam os custos de colher para que possam ativar as cartas, que normalmente são as verdes. Através da colheita os jogadores conseguem mais comida, dinheiro, ferramentas (que são pequenas placas com habilidades e adicionais interessantes) e outros. Se um jogador não pode pagar os recursos de um local, esse local fica “descampado” e a carta é virada para baixo.

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Exemplo de partida

A noção de espaço da distância é crucial para um bom desenvolvimento da fazenda e movimentação dos recursos, principalmente por que muitas cartas de beneficiam por estar próximas a determinadas outras cartas. Após 4 rodadas (ou anos), quem tiver mais pontos vitórias pelas suas cartas ganha a partida.

Considerações finais
Fields of Green é o primeiro jogo que a novata Flick Game Studio traz ao Brasil e este já é o primeiro ponto a se considerar tanto do trabalho da editora quanto da nova adição do mercado/catálogo nacional. É um bom título? Diverte? Foi uma boa escolha da editora? A resposta é sim.

Este um jogo que diverte, prende a atenção facilmente e é fácil simples de se jogar. Dentro de cada partida existe bastante coisa acontecendo ao mesmo tempo como  a questão das distâncias das cartas, recursos, dinheiros e fases distantes. Detalhes pequenos e precisos que necessitam da atenção dos jogadores, o que traz uma experiência diversificada para novatos e já conhecida para veteranos.

Ao tratar de “novatos e veteranos”, também temos aqui um jogo que serve perfeitamente de jogo de entrada por ter sua dificuldade na medida certa. As cartas foram muito bem traduzidas e revisadas possuindo textos claros e diretos. Em sua versão original é fácil se deparar com dificuldades em interpretação de regras e cartas, o que já incentiva a aquisição da versão brasileira.

O único ponto que deveria ser trabalhado é que para um jogo deste porte com tantas cartas e conteúdo, apenas 4 rodadas é muito pouco. A sensação de “quero mais” fica nítida no jogo, o que faz com partidas seguidas sejam comuns. Tive boas experiências com 5 rodadas por partida.

Pontos positivos
– Fácil de ensinar
– Diverte com vários elementos
– Cartas com textos objetivos e simples
– Pode ser um jogo de entrada

Pontos negativos
– Poderia ser um pouco mais extenso