Resenha – Bang! Pocket – Um jogo de velho oeste que cabe no bolso

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“Quando um homem com uma pistola encontra um homem com uma Winchester, você pode dizer que o que está com a pistola está morto… A não ser que essa pistola seja uma Volcanic!” – Verso da caixa, Grow jogos e brinquedos.

Caixa do jogo com todas as cartas ao redor

Lançado originalmente em 2002, Bang! já foi publicado por 19 editoras de jogos ao redor do mundo, tendo sua presença no Brasil garantida pela Grow. O título foi trazido ao mundo pelo designer Emiliano Sciarra, que tem em seu currículo outras diversas versões e reimplementações deste jogo tais como Bang! The Bullet!, Bang! Heroes of the Storm e Samurai Sword. A arte do jogo é de Alessandro Pierangelini que também assinou a arte em outras versões de Bang! como Bang! The Bullet! e Bang! Dodge City. Esta resenha foi feita com base na versão pocket produzida pela Grow.

Mecânicas
– Gestão de mão
– Toma essa
– Personagens com diferentes habilidades
– Eliminação de jogador
– Dedução

Bang! é um jogo festivo no estilo dos antigos filmes de velho oeste estrelados por Clint Eastwood e John Wayne. No meio desse cenário de poeira e feno, os jogadores assumem personagens que desenvolvem papéis específicos durante o jogo. Aquele que conseguir cumprir o objetivo do seu personagem vence a partida. Podem jogar de quatro a sete pessoas tendo uma duração média de 20 minutos.

Cartas de personagem. Frente ao redor e verso no meio

A diferença básica entre a versão pocket e a tradicional é que a edição de bolso não vem com os tabuleiros individuais e com as balas que são usadas pra marcar a energia dos personagens. Esses tabuleiros funcionam meramente como um playmat onde se posiciona cada tipo de carta e os marcadores de bala para indicar a energia. Na versão pocket, além de dispensar o playmat, utiliza-se o verso das cartas de personagens não sorteados para marcar a energia, cobrindo e descobrindo as balas impressas com a carta de personagem ativa.

Existem três tipo de carta no jogo: De identidade (que determina qual papel será desenvolvido no jogo), de personagem (que terá uma habilidade especial única e que determina a energia inicial o jogador) e as de efeito. As últimas funcionam de dois jeitos diferente, instantâneo e durador. As instantâneas tem borda marrom e as duradouras tem borda azul. As cartas de efeito formam o deck de compra que será utilizado durante todo jogo.

Cartas de identidade

No início do jogo são distribuídas as cartas de identidade e personagem aleatoriamente. Quais cartas de identidade serão utilizadas vai depender da quantidade de jogadores. As cartas de personagem ficam reveladas e cada jogador deve ler sua habilidade em voz alta. Quanto as cartas de identidade, somente a de “Xerife” deve ser revelada. O objetivo de cada identidade está escrita na própria carta. A do Xerife, por exemplo, é matar todos os Fora da Lei e o Renegado. Em seguida marca-se a quantidade de energia de cada jogador que está indicada na parte superior direita da carta de personagem. A mão inicial de cada um é equivalente a quantidade de energia que possuir. A quantidade de energia também determina o limite de mão, ou seja, se perder energia também diminui o limite de cartas que o jogador poderá manter de um turno para outro.

O jogador inicial é sempre o Xerife. Na sua vez, cada jogador inicial seu turno comprando duas cartas. Em seguida usa quantas cartas quiser, fazendo seu efeito, no caso das instantâneas, ou colocando na sua frente ou na de algum outro jogador, a depender da carta. Deve-se apenas observar que a carta “Bang!” (que é a que dá dano diretamente) só pode ser usada uma vez por turno, a não ser que alguma outra carta mude essa regra. Após o jogador usar todas as cartas de  puder ou desejar, verifica-se qual seu nível de energia atual e se o número de cartas restantes em sua mão extrapola o número de balas descobertas (energia). Caso haja mais cartas na mão que balas, o jogador deve descartar até que as quantidades sejam iguais. Os turnos continuam até que algum dos jogadores tenha cumprido o objetivo indicado em sua carta de identidade.

Considerações finais
Este é um jogo que podemos colocar ao lado dos chamados jogos de entrada. Simpático, simples e divertido, Bang! agrada uma ampla gama de jogadores. É possível jogar de forma descompromissada, apenas focando a atividade lúdica em grupo, ou ser mais sério e levar a dedução a níveis de poker, mas sem valer dinheiro (ou não).

O título utiliza mecânicas simples e familiares à maioria das pessoas que já tiveram contato com jogos mais tradicionais, trazendo memórias de jogos como “Detetive, Vítima e Assassino” que tem essa mesma lógica de papéis ocultos. A dedução é algo bem presente no jogo, o que coloca à prova a capacidade de leitura de jogo de cada jogador. Saber interpretar as ações (cartas usadas, quem atacou quem, etc.) é a chave para saber o que fazer na sua vez. Usar as cartas de efeito na hora certa também é parte da estratégia intrínseca.

A versão analisada ainda tem mais uma vantagem que é sua portabilidade. Com uma caixa do tamanho de um baralho comum, colocar Bang! Pocket na bolsa pra”sacar” numa mesa de bar é algo fácil e que pode transformar o happy hour numa aventura no velho oeste. A versão de bolso é realmente barata e fácil de encontrar. Com um preço que gira em torno de 30 reais, pode ser o presente ideal para aquele(a) amigo(a) que você está apresentando ao hobby.

Para os amantes de sleeves, se quiserem cumprir o legado deixado por Sleeve Jobs (sleevado seja!), deverão abrir mão da caixa do jogo, já que ela comporta as cartas e o manual sem deixar nenhum espaço de sobra. Mas, como escrito acima, é um jogo tão baratinho que é mais vantagem comprar um novo do que gastar dinheiro com sleeves. Fica a critério de cada um.

Um problema que o jogo apresenta é a eliminação de jogador. Se alguém morre só pode voltar na outra partida. Isso pode causar frustração para os eliminados, principalmente se estiverem jogando contra jogadores mais experientes.

Pontos positivos
– Regras simples
– Divertido e simpático a novos jogadores
– Bem barato
– Portátil por ser pequeno

Pontos negativos
– Eliminação de jogador pode causar frustração principalmente em novatos
– Caixa pequena sem espaço pra cartas sleevadas pode desagradar alguns