Resenha – Munchkin

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“MUNCHKIN é um jogo que contém a essência da “experiência dungeon”… sem todos aqueles papéis e livros gigantes do RPG convencional”. – Manual versão da editora Galápagos, página 2.

Esta resenha foi realizada em parceria com a loja COMDADO Jogos! Visite!

Matar monstros, roubar tesouros, apunhalar os amigos… Tudo isso está dentro de Munchkin com suas dezenas de cartas de portas, itens, maldições e muita, mas muita “sacanagens com os amigos”. Munchkin é um jogo de cartas criado por Steve Jackson (GURPS, Zombie Dice, OGRE, Illuminati, etc) da Steve Jackson Games em 2001 e aqui no Brasil foi lançado pela Devir em uma primeira versão e posteriomente pela editora Galápagos. Com a arte de Alex Fernandez, John Kovalic, Heather Oliver e Philip Reed (OGRE, Munchkins diversos, Hacker, Ca$h’n’guns, etc), o jogo de cartas tem um toque de RPG onde 3 a 6 podem jogar e disputar quem chega primeiro no nível 10 (versão básica do jogo).

Essa disputa se dá através de cartas de porta e de tesouro que podem se revelar muito boas ou muito ruins para cada jogador. Apesar de já possuir mais de 10 anos no mercado de tabuleiros, Munchkin possui inúmeras expansões e versões temáticas que até hoje faz grande sucesso para jogadores de todas as idades.

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Versão da Devir, a primeira lançada no país
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Versão da Galápagos, a mais atual

Mecânicas
– Administração de cartas
– Seleção de cartas
– Jogadores com diferentes habilidades
– Rolagem de dados

A essência do jogo é a interação entre os jogadores através de alianças e traições que são feitas por causa dos combates. Jogadores se unem ou se atrapalham na disputa dos tesouros e níveis que cada monstro dá e o objetivo final é alcançar o nível 10 de experiência com o seu personagem para uma vitória imediata.

A rodada começa com os todos os jogadores comprando 4 quartas de cada monte (porta e tesouro) e verificando o que já pode ser “baixado” na mesa como equipamento deixando o personagem melhor ainda. Os equipamentos vêm no jogo em grande variedade e cada um dá um bônus em força e alguns até mesmo uma habilidade ao personagem. Vale lembrar que todos começam com a raça “humano” e sem nenhuma classe (guerreiro, ladrão, etc), assim sendo cada jogador, a não ser que mude sua classe, pode ter um equipamento na cabeça, 2 itens de mão pequenos ou um grande de duas mãos, um calçado e uma armadura. Além disso, existem os amplificadores de itens que aumentam ou dão novas habilidades à itens já existentes com algum dos jogadores. Munchkin, como toda adaptação de RPG, possui cartas de raças, classes, escudeiros, montarias e outros. Existem cartas que dão acesso à duas raças ou classes.

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Cartas de classe

Logo após o primeiro jogador começa comprando uma carta de porta do monte verificando que tipo de carta é. Se for uma carta de maldição com o símbolo verde, esta é uma maldição que deve ser resolvida imediatamente. Uma carta azul representa um item que pode ajudar no combate com monstros e pode ficar na mão ou no inventário do jogador. Por fim, uma carta com símbolo roxo significa um equipamento que pode ser usado, descartado ou doado/negociado com outro jogador. Por fim, se for uma carta de monstro (laranja), então acontece o combate.

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Componentes do jogo base. NOTA: Os marcadores vem com um acessório que será resenhado posteriormente.

O combate é vencido se o jogador possuir mais pontos de força do que monstro. Nesse momento é possível pedir ajuda aos oponentes para que eles somem seus níveis e itens aos do combatente e assim seja possível derrotar o monstro. Porém também é possível que os oponentes joguem cartas de amplificação/bonificação (azuis) para aumentar a força do monstro e assim atrapalhar o combate (de jogador prestes a ganhar, por exemplo). Caso o monstro derrote um personagem, ocorre a “coisa ruim” da carta do monstro caso o jogador não consiga fugir com sucesso.

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Exemplo de combate

Além de abrir a porta (comprar uma carta de porta), ainda é possível jogar uma carta de monstro da mão para “procurar encrenca”, negociar cartas com outros jogadores ou ainda dar cartas como “caridade” para quem está abaixo do seu nível. Quem chegar no nível ao nível 10 (ou maior, depende do modo de jogo) ganha imediatamente!

Considerações pessoais
Munchkin é um jogo de certa forma agressivo, ainda que simples por não existirem regras complexas ou muitos detalhes. Apesar de antigo, sempre “está na moda” por novos e velhos jogadores de tabuleiro.

Considero muito bom para quem está iniciando no hobby e com a edição brasileira sempre fica fácil abrir o jogo para pessoas que nunca jogaram nada de moderno. Tem a qualidade dos componentes da Steve Jackson games e as piadas garantem boas risadas em sua maioria. As expansões acrescentam boa rejogabilidade.

Entretanto, dado sua mecânica básica de jogar cartas no combate para atrapalhar ou ajudar um oponente, também é um jogo que pode demorar muito… mais de uma hora inclusive! Assim sendo, sempre manter cartas para encerrar o combate é recomendado.

Além disso, por existirem muitas e muitas expansões – mais de 40 dentre as lançadas no Brasil e as estrangeiras – Munchkin também é um jogo onde os jogadores normalmente não aproveitam tudo em uma única partida, o que pode ser bom pela questão da rejogabilidade, mas também ruim quando os jogadores gostariam de testar novas cartas para formar novas estratégias.

De forma geral, pela graça ser atrapalhar o jogo alheio, não é todo jogador, novato ou não, que vai gostar deste título.

Pontos positivos
– Sempre disponível no mercado à bom preço
– Jogo de cartas leve e engraçado
– Apresenta boas possibilidades de “sacanear o amiguinho”
– Boas expansões, apesar de algumas acrescentarem mais do mesmo
– Jogo criativo e com conteúdo diversificado

Pontos negativos
– Jogo agressivo como um todo
– Altas possibilidades de jogadores “sacanearem” somente um jogador na mesa
– A maioria das expansões pouco acrescentam
– Pode demorar mais do que deveria