Resenha – Isle of Skye: De líder a rei

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Quando se fala de guerra e de Escócia geralmente as pessoas lembram de William Wallace e Coração Valente, mas na Ilha de Skye ninguém luta por liberdade, a guerra é pelo domínio!

Caixa do jogo

Isle of Skye é um jogo feito em parceria pelos designers Andreas Pelikan (Witch’s Brew, Sewer Pirates) e Alexander Pfister (Oh, My Goods!, Port Royal, Mombasa) e com arte de Klemens Franz (Agrícola, Caverna, Patchwork) publicado no Brasil pela Paper Games. Este não é o único jogo de parceria entre estes designers. O aclamado Broom Service também foi fruto de um trabalho conjunto de Pelikan e Pfister. Klemens Franz também figura como artista de outros jogos de Alexander Pfister como é o caso do, já lançado no Brasil, Oh, My goods!

Em Isle of Skye os jogadores são clãs da Escócia medieval disputando o domínio sobre a ilha de Skye. Para alcançar esse objetivo eles vão expandir seu reino usando de forma estratégica os terrenos, comprando e vendendo componentes (ladrilhos ou tiles) para usar em sua expansão.

Mecânicas
– Colocação de ladrilhos
– Especulação financeira
– Coleção de componentes

Tabuleiro principal ainda sem as peças de critério de pontuação

O preparo do jogo se dá inicialmente sorteando as formas de pontuação que serão ativadas durante o jogo e que ficam no tabuleiro principal. Este mesmo tabuleiro contém a trilha de pontuação. Os jogadores começam com o ladrilho do seu Castelo que lhes dá o direito de receber cinco de dinheiro no início da rodada.

Cada rodada se inicia com a renda a ser recebida por cada jogador, contando seu castelo, barris diretamente ligados ao castelo e, em certa parte do jogo, sua posição na trilha de pontos. Em seguida sorteia-se três ladrilhos (ou tiles) de terreno para cada jogador que são posicionados na frente do escudo individual. Nesse momento os jogadores usam suas moedas para dar preço a cada ladrilho posicionando-as atrás do escudo na direção do ladrilho precificado. Importante frisar que também se usa moedas para comprar ladrilhos posteriormente, portanto se alguém usa todas as moedas para dar preço a seus ladrilhos não poderá comprar na fase seguinte. Um dos ladrilhos também deve ser indicado secretamente para ser descartado. Quando todos terminarem de determinar os preços e qual dos ladrilhos será descartado, começa a fase de compra e venda. Levantam-se os escudos revelando os preços de cada ladrilho e qual será descartado.

Escudo de jogador e território montado

Até aqui as ações foram feitas de maneira simultânea, a partir de então cada jogador, começando pelo inicial, decide qual (e se) ladrilho irá comprar pagando ao dono o preço indicado. Quando um jogador tem sua peça comprada por outro ele recebe o dinheiro, entrega o ladrilho e fica com as moedas usadas para precificar o componente. As peças que não forem compradas ficam com o jogador que deve pagar por ela entregando ao banco do jogo as moedas usadas para precificar aquele ladrilho. Logo depois vem a fase de construção onde os jogadores, novamente de maneira simultânea, posicionam suas peças (compradas ou mantidas) no terreno a frente do seu escudo onde, a princípio, só se encontra o castelo. Para fazer a colocação é preciso que os terrenos do ladrilho se combinem não se fazendo necessária uma continuidade da trilha que aparece em alguns deles. Os ladrilhos tem ilustrações de itens que são usados para pontuar através da mecânica de coleção de componentes e também dos critérios mostrados no tabuleiro principal. Finalmente a pontuação da rodada é definida de acordo com o que aparece nos critérios sorteados. Cada uma das seis rodadas pontua através de um, dois ou três dos critérios.

Peças de pontuação que são sorteadas no início de cada partida e posicionadas no tabuleiro principal

Ao final do jogo também há uma pontuação por pergaminhos (que aparecem em alguns ladrilhos) que podem ser dobradas caso estes estejam numa região fechada. Dinheiro também é convertido em pontos numa proporção de 5 moedas para 1.

Considerações finais
A arte do jogo é impecável e linda fazendo jus ao artista que a assina. Os componentes da versão nacional tem uma excelente qualidade o que a Paper Games tem construído como tradição. Isle of Skye é fácil de aprender e fica mais rápido conforme os jogadores vão se acostumando com a ordem da rodada. A estratégia do jogo está em manter um olho no tabuleiro principal, para saber que critério pontuará nesta e em outras rodadas, e outro nos ladrilhos a serem comprados e vendidos pra que o jogador saiba que preço colocar nos seus terrenos e também qual comprar.

Este é um jogo que tem sido exaustivamente comparado a Carcassonne por usar a mecânica de colocação de ladrilhos e ter uma arte com ares bucólicos medievais. Porém, a semelhança termina aí. Isle of Skye tem seu próprio brilho por conta de uma grande sacada de design que faz com que o jogo seja diferente cada vez que vai pra mesa: os critérios de pontuação sorteados. Das 16 peças usadas para esse fim (sem contar as promocionais) apenas quatro são utilizadas por jogo e o número de combinações possíveis é enorme. Essa característica não funciona apenas para variar a pontuação, essa mudança altera sensivelmente que estratégia deverá ser adotada para vencer o jogo. O quanto de dinheiro investir, que ladrilhos priorizar, em que ordem os colocar… toda essa lógica é alterada a cada nova partida. Não é à toa que foi o vencedor do Prêmio Kennerspiel des Jahres – Melhor jogo de estratégia de 2016.

A limitação de poder comprar apenas um ladrilho por vez, não importando quanto dinheiro se tenha, pode ser frustrante para alguns jogadores. Algumas confusões com as regras de Carcassonne (como a questão da trilha) podem acontecer, mas nada que algumas partidas não resolvam. A interação entre os jogadores acontece única e exclusivamente na horas da compra e venda. Fora isso é cada um fazendo seu pequeno reino interferindo quase nada no jogo do outro.

Pontos positivos
– Alta rejogabilidade por conta de suas peças de pontuação
– Arte muito bonita em todas as versões
– Mecânicas bem aplicadas ao tema
– Boa duração em cada partida
– Nível correto de estratégia

Pontos negativos
– Tema fraco, poderia ser qualquer um
– Poquíssima interação entre jogadores
– Limitação de compras pode ser muito frustrante

Fotos retiradas do site da Paper Games.